Brasil e América Central
Integração e Autodeterminação sob o signo da Democracia
Ato conclusivo de penoso processo de redemocratização simultâneo e análogo aos de inúmeros países latino-americanos, a Constituição Federal de 1988 determina que o Brasil “buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações”. A experiência histórica fez da solidariedade e proximidade com os vizinhos latino-americanos elementos constitutivos de nossa identidade como democracia. Fustigados por guerras civis, conflitos e rivalidades no contexto da Guerra Fria, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua engajavam-se na negociação dos Acordos de Esquipulas (1986-87), conjugando esforços por paz e democracia na América Central.
Alguns anos depois, foi a vez do país homenageado nesta primeira edição da The Diplomatic, a República Dominicana, alcançar maior institucionalidade democrática, por meio do Pacto pela Democracia, assinado em 1994. Durante a década de noventa, a América Latina passou por processo de reconhecimento da identidade e dos desafios comuns, que levou ao aprofundamento da integração: em 1991, foram assinados o Protocolo de Tegucigalpa e o Tratado de Assunção, instrumentos constitutivos, respectivamente, do Sistema de Integração Centro-Americana (SICA) e do MERCOSUL.
Diante de novas rivalidades geopolíticas e dos desafios impostos ao multilateralismo, à democracia e ao ordenamento do comércio internacional, a integração regional e a convivência na diversidade mostram renovado vigor como instrumentos para a construção de uma região próspera, segura e autodeterminada. Imbuído desse espírito, o presidente Lula reiterou ao presidente José Raúl Mulino, durante encontro mantido na capital panamenha, em 28 de janeiro, o respaldo brasileiro à soberania do Panamá sobre o canal que leva o seu nome.
Com entusiasmo, saudamos a adesão do Panamá como primeiro estado centro-americano associado ao MERCOSUL; nos engajamos em negociações comerciais entre o bloco e outros membros do SICA, como El Salvador e a República Dominicana; e renovamos nossa disposição de aproximar o MERCOSUL dos países da América Central. Cientes de que nosso comércio com a região – que alcançou US$ 3,4 bilhões, em 2025 – é amplamente favorável ao Brasil, e convictos de que um intercâmbio mais intenso, equilibrado e mutuamente benéfico é possível e necessário para a parceria igualitária que almejamos aprofundar com a região, renovamos o compromisso com a abertura de nosso mercado para os vizinhos centro-americanos.
Recebemos com satisfação o êxito dos processos eleitorais que sagraram o presidente Nasry Asfura, em Honduras, em 30 de novembro de 2025; e a futura presidenta Laura Fernández, na Costa Rica, em 1º de fevereiro. Representantes dos anseios e esperanças das populações de seus países, seus governos são herdeiros do projeto comum de uma América Latina mais próspera, soberana, solidária e democrática.
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